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Intervenção na Previ coloca em risco patrimônio dos associados

Dirigentes sindicais do Banco do Brasil utilizam caso de intervenção na Previ para mostrar falta de ética, de respeito às regras, normas e leis pelo governo Bolsonaro

O coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil, João Fukunaga, e o ex-diretor eleito da Caixa de Previdência dos Funcionários do BB (Previ), Francisco Alexandre, escreveram um artigo denunciando o governo Bolsonaro pela falta de ética, de respeito às regras, normas e leis no caso da demissão do presidente do fundo de pensão dos funcionários.

Para eles, “a troca do presidente do maior fundo de pensão do país sem observar as normas de governança da entidade representa um risco e leva os associados a refletirem sobre as razões de se dispensar o administrador sem qualquer processo organizado de sucessão.”

No texto, os autores ressaltam que a Previ tem um patrimônio relevante, com mais de R$ 236 bilhões distribuídos em investimentos de renda fixa e em várias empresas do país para fazer frente ao pagamento dos benefícios dos mais de 190 mil associados com mais de 60 anos.

Observam, ainda, que a governança da Previ é reconhecida pelos outros fundos do país por seu alinhamento às melhores práticas do sistema.

O texto diz, também, que a solidez do patrimônio da Previ “parece ser o que move a sanha do governo na intervenção” e que “a ação do governo mais parece a uma orquestração para colocarem as mãos no patrimônio dos associados.”

Para os autores, “o governo Bolsonaro mostra a cada dia que não considera valores como ética, respeito às regras, normas e leis” e que os fartos “exemplos de ligações e negócios nebulosos no governo” leva a todos a questionar sobre os motivos e intenções na mudança de administração do fundo de pensão.

Leia abaixo a íntegra do artigo.

Intervenção do governo na Previ coloca em risco patrimônio dos associados

Os associados foram surpreendidos com a demissão do presidente da Previ, ainda no meio do mandato, pelo governo. A troca do presidente do maior fundo de pensão do país sem observar as normas de governança da entidade representa um risco e leva os associados a refletirem sobre as razões de se dispensar o administrador sem qualquer processo organizado de sucessão.

A Previ tem patrimônio relevante. São mais de R$ 236 bilhões, distribuídos em investimentos renda fixa e em várias empresas do país, recursos para fazerem frente ao pagamento de benefícios aos mais de 190 mil associados por período superior a 60 anos.

A Previ é reconhecida pelos outros fundos do país por ter uma governança forte e alinhada às melhores práticas do sistema. A paridade de diretores e conselheiros tem sido a fórmula que garante uma gestão cuidadosa e sem atropelo do patrimônio, o que se revela em resultados consistentes, superiores às metas, com geração de superávit de mais de R$ 13 bilhões até dezembro de 2020.

A solidez do patrimônio da Previ, por outro, parece ser o que move a sanha do governo na intervenção na administração da Caixa de Previdência. A ação do governo mais parece a uma orquestração para colocarem as mãos no patrimônio dos associados. Recursos construídos em décadas.

O governo Bolsonaro mostra a cada dia que não considera valores como ética, respeito às regras, normas e leis. Os exemplos de ligações e negócios nebulosos no governo também são fartos. O que leva a todos a questionar sobre os motivos e intenções na mudança de administração do fundo de pensão. Situação que aumenta ainda mais a preocupação sobre medidas que possam atacar o modelo de gestão para facilitar a indicação de prepostos com objetivos não republicanos para a Previ.

As entidades associativas, sindicais e os funcionários devem unificar suas ações e cobrar transparência, respeito e seriedade na gestão dos recursos que garantirão a aposentadoria dos 190 mil associados. Os recursos da Previ não podem ser objeto de barganha entre o governo e predadores contumazes de patrimônio em muitos fundos de pensão do país.

Francisco Alexandre – Ex-diretor eleito da Previ
João Fukunaga – Coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB

Fonte: Contraf-CUT