20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra 
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20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra

Precisamos combater o racismo estrutural que coloca a margem, tira oportunidade e mata a população negra no Brasil

Data faz memória à Zumbi, líder do Quilombo de Palmares, e ajuda a ressaltar a importância da cultura e do povo negro na formação da cultura nacional
Sexta-feira, dia 20 de novembro, é o Dia Nacional da Consciência Negra. A data faz memória à Zumbi, líder do Quilombo de Palmares, morto neste dia, no ano de 1695 e um momento para se ressaltar a importância da cultura e do povo negro na formação da cultura nacional.
“Zumbi é um personagem histórico, que representa a luta do negro contra a escravidão no período do Brasil Colonial, mas também contra a opressão e o racismo que persistem até os dias atuais”, explicou o secretário de Combate ao Racismo da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Almir Aguiar.
“Zumbi morreu em combate, defendendo seu povo e sua comunidade. Os quilombos representavam uma resistência ao sistema escravagista e também uma forma coletiva de manutenção da cultura africana aqui no Brasil. Zumbi lutou até a morte por esta cultura e pela liberdade do seu povo. Por tudo isso, consideramos ele e sua luta como símbolo da consciência negra. Da consciência que o povo negro precisa lutar contra o racismo, contra o preconceito para conseguir usufruir dos seus direitos”, completou.

Mortes de Negras e Negros

Em pleno dia em que celebramos a Consciência Negra, repercute nos meios de comunicação o assassinato de João Alberto Silveira Freitas, um homem negro morto ao ser espancado por seguranças do supermercado Carrefour, em Porto Alegre. Assim como João outros negros/as são assinados/as no Brasil vítimas do preconceito e do racismo estrutural. São mortos por ações violentas até mesmo da polícia, como o jovem João Pedro morto em São Gonçalo (RJ) numa ação desastrosa. 

Ameaças à vereadora

Além do assassinato de João Freitas, em Porto Alegre, também ganhou destaque nesta semana as ameaças à vereadora eleita Ana Lúcia Martins (PT). Ela é a primeira mulher negra eleita para a Câmara de Vereadores de Joinville, no Norte de Santa Catarina. Desde domingo (15), com o resultado das eleições, Ana Martins vem recebendo ataques em redes sociais e até ameaças de morte.

Discriminação Racial mercado de trabalho

A pandemia de Covid-19 impôs a paralisação de muitas atividades produtivas e exigiu que milhões de pessoas praticassem o isolamento social para protegerem a vida, provocando uma rápida e intensa recessão econômica, que gerou, inclusive o fechamento de empresas e o crescimento do desemprego, que já era muito alto.
A população negra foi a mais afetada. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-C) trimestral, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a taxa geral de desocupação é de 13,3%. Entre os pretos alcança 17,8%. Considerando apenas os brancos, é de 10,4%. As pesquisas ainda mostram que a renda média da população negra representa apenas 56,2% da recebida pelos brancos.
Abismo que se repete por outras áreas. No ramo financeiro negras e negros também são minoria e não estão nos postos de comando.

Mobilização    

Nesta sexta-feira, a Contraf-CUT, sindicatos e federações de trabalhadores do ramo financeiro de todo o país realizaram uma manifestação pelas redes sociais com a hashtag #VidasNegrasImportam. Mesmo na pandemia é preciso não perder de vista as pautas de luta importantes para a sociedade.
O movimento sindical utilizou as redes, principalmente o Twitter para denunciar a discriminação racial, que pune a população negra, com a violência, a discriminação no mercado de trabalho e em toda a estrutura da sociedade.

Fonte: SiNTRAF JF com informações da Contraf-CUT