Luta das mulheres contra a desigualdade é tema de mesa com Fenaban 
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Luta das mulheres contra a desigualdade é tema de mesa com Fenaban

Reunião discutiu conquistas da categoria; A vice-presidenta do SINTRAF JF e secretária de políticas sociais da FETRAFI-MG, Lívia Terra, participou da mesa

Um ano após a aprovação do canal de atendimento às bancárias vítimas de violência, a mesa bipartite temática de Igualdade de Oportunidades fez uma avaliação da conquista. Nesse tempo, mais de 120 casos foram atendidos. Representantes da Comissão de Gênero, Raça, Orientação Sexual e Trabalhadores e Trabalhadoras com Deficiência (CGROS), do Coletivo de Mulheres da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) se reuniram para discutir o canal e também outras pautas como a desigualdade salarial e os problemas de ascensão profissional para as mulheres. Entre as representações, a vice-presidenta do SINTRAF JF e secretária de Políticas Sociais da Fetrafi-MG, Lívia Terra, participou da mesa representando Minas Gerais.

“O canal de atendimento é trabalho que o movimento sindical bancário vinha fazendo bem antes. Está em construção, mas já é importante porque está fazendo mulheres vítimas de violência se sentirem acolhidas. Foram 128 casos desde abril. Se formos somar ao Projeto Basta, do Sindicato dos Bancários de São Paulo e Osasco, o total chega a 226 casos”, informou a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, que participou da mesa.

Além do canal de atendimento, faz parte do acordo negociado com os bancos um programa de treinamento para os funcionários. “Esse programa também prevê a formação do quadro dos gestores. O objetivo é que eles saibam identificar o que é a violência, seja psicológica, patrimonial ou física”, ressaltou a secretária de Políticas Sociais da Contraf-CUT, Rosalina Amorim.

Quase um século

Outra parte do debate da mesa foi sobre cobranças feitas à Fenaban. Apesar das bancárias terem obtidos conquistas importantes ao longo de anos de luta da categoria, a desigualdade entre homens e mulheres ainda perdura. Estudo feito pelo Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Socioeconômicas (Dieese) mostra que, no ritmo atual, as mulheres bancárias levarão 88 anos para que seus rendimentos se equiparem ao dos colegas homens.

No estudo, apresentado durante a reunião, está registrado que em 2003, a diferença da remuneração média entre homens e mulheres no setor bancários era de 26,08%. Em 2018, a diferença era menos, mas estava em 21,75% No mercado de trabalho brasileiro, a diferença é de 18%, menor do que no setor bancário. “Esse tema é debatido há mais de 20 anos. Não queremos esperar 88 anos para que os salários se equiparem. Não é justo a gente ganhar menos. Essa é uma injustiça que precisa ser corrigida nos bancos”, afirmou Juvandia Moreira.

Exclusão

A desigualdade também afeta as bancárias na ascensão profissional. O estudo do Dieese mostra que é maior a proporção de homens com mais de três promoções na carreira, de 31,7%, contra 19,9% das bancárias. Na reunião foi cobrado também mais informações sobre o aceso das mulheres aos novos empregos na área de tecnologia. No Itaú, por exemplo foram contratadas em 2020 cerca de 4 mil pessoas entre cientistas de dados, engenheiros e equipes de Tecnologia da Informação (TI).

“Quantas dessas novas contratações na área de tecnologia são de mulheres? Precisamos estimular que elas tenham maior acesso a essa área, senão vamos manter a exclusão”, destacou a presidenta da Contraf-CUT. Os representantes da Fenaban se comprometeram, na nova reunião da mesa de Igualdade de Oportunidades, a ser realizada ainda em março, a trazer esses dados.

O estudo do Dieese também mostra que as mulheres negras são as maiores vítimas da desigualdade. Em 2020, a taxa de desocupação das mulheres não negras era de 13,5%, enquanto que a das mulheres negras era de 19,8%. A mulher negra precisa trabalhar o dobro do tempo do que um homem branco para ter a mesma renda.

Pandemia

A pandemia também foi tema da reunião. “As mulheres foram as mais afetadas na pandemia. Existe a cultura que o trabalho doméstico é da mulher.  Os homens precisam compartilhar todas as responsabilidades. Além disso tem o aumento da violência doméstica nesse período da pandemia. As mulheres sofreram mais com a violência e ficaram com sobrecarga de trabalho em casa”, ressaltou a secretária da Mulher da Contraf-CUT, Elaine Cutis.

Causa de vários problemas para as mulheres, a pandemia tem de ser combatida com isolamento social e a vacina. Por isso, as representantes da Contraf-CUT destacaram a necessidade de se lutar pela vacina já. A Contraf-CUT enviou carta ao Ministério da Saúde reivindicando que os bancários da linha de frente no atendimento á população durante a pandemia estejam na lista de prioridade para a vacinação.

Fonte: Contraf-CUT