Sindicato faz balanço de demissões 
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Sindicato faz balanço de demissões

Bradesco lidera o ranking da crueldade durante a pandemia

O SINTRAF JF realizou um balanço das demissões em sua base de abrangência. Os números correspondem a demissões que ocorreram após o mês de março, ou seja, após a declaração do estado de pandemia. Os bancos descumpriram o acordo de não demitir durante a grave crise que estamos atravessando, em decorrência da pandemia de Coronavírus.

Juntos, Bradesco, Itaú, Mercantil do Brasil e Santander demitiram 34 bancárias/os, mães, pais, pessoas que tinham estabilidade, adoecimento, gestantes. O sindicato acompanha caso a caso e tenta garantir judicialmente o emprego dessas/es bancárias/os demitidos injustamente e de forma cruel.

A diretora de saúde e condições de trabalho e funcionária do Itaú, Taiomara Neto de Paula, analisa: "Os bancos estão sendo desrespeitosos com os bancários, clientes e usuários de seus serviços. Vêm demitindo pais e mães de família em meio a uma pandemia, onde foi firmado um acordo nacional com os sindicatos da categoria. Demitem trabalhadores que dedicaram suas vidas as entidades, por telefone, e- mail deixando-os abalados e depressivos. Um funcionário com mais de 30 anos de banco, deveria ser desligado com muita dignidade, respeito e reconhecimento. Os bancos demitem bancários em tratamento de saúde, inclusive em tratamento de câncer, no momento em que mais precisam do plano de saúde, demitem bancários em tratamentos psiquiátricos devido ao stress do dia a dia da agência.". 

A diretora acredita que as instituições financeiras aproveitam o momento da pandemia para acelerar a expansão da tecnologia nos atendimentos, por meio dos canais eletrônicos, como os aplicativos. Ela comenta: "Colocam o cliente para trabalhar para o banco, mas o cliente continua a pagar tarifas altas pelos serviços, que ele mesmo faz. Os bancos não preocupam com o atendimento aos clientes e nem dão condições para que os bancários possam fazer. Com o quadro reduzido, as filas crescem nas agências. Com isso o adoecimento na categoria só aumenta e o resultado é o afastamento do bancário. Precisamos unir bancários e clientes para lutar pelos nossos direitos. O cliente que se sentir lesado deve procurar os canais de reclamações dos bancos, ouvidoria e banco central e reclamar das tarifas exorbitantes e falta de funcionários, fazer uma reclamação contra a entidade para não acarretar danos ao trabalhador bancário que é vítima da ganância dos bancos por alta lucratividade.".

A vice-presidenta do SINTRAF JF, Lívia Terra, acompanhou o jurídico do sindicato e a pasta de saúde no levantamento dos dados sobre as demissões. Ela ressalta a importância da campanha nacional contra as demissões, principalmente no banco Bradesco, campeão disparado em demissões no período. Lívia contabiliza: "Foram 5 demissões no Santander e outras 5 no Mercantil do Brasil, 2 no Itaú e 22 no Bradesco. Destas, já conseguimos tutelas de reintegração para alguns bancários, só na última semana conquistamos três reintegrações, todas de bancários do Bradesco. Estamos aguardando decisões de outras que também judicializamos.". Lívia aponta a última reintegração como motivo de vitória para toda a categoria, uma vez que o juiz ressaltou a ilegalidade da demissão por conta do descumprimento do acordo entre instituições financeiras e movimento sindical.

Sentindo na pele

Bancárias/os têm denunciado ao sindicato, além das demissões ilegais, a tensão e o medo que se instalaram nas agências. Situações que trazem muitos prejuízos para a saúde das/os trabalhadoras/es como apontou anteriormente a diretora de saúde e condições de trabalho.

Conversamos com algumas/alguns bancárias/os e todas/os apontam que a instabilidade emocional tem impactado suas vidas, seja no âmbito profissional ou no pessoal. Sobre o contexto a funcionária do Bradesco e diretora suplente do SINTRAF JF, Joyce Delgado, comenta: "Com todo esse cenário, fica explícito o medo e a insegurança que assolam o emocional de todos e acabam por interferir nas tarefas diárias podendo acarretar danos na saúde do trabalhador.". Andressa de Souza, funcionária do Mercantil do Brasil e integrante do conselho fiscal da diretoria do SINTRAF JF, também comenta o clima dentro das agências: "Trabalhamos com tensão, receosos de a qualquer momento sermos desligados também. Com medo, nos submetemos a fazer o que os superiores exigem, mesmo sendo práticas abusivas.".

Práticas assediadoras já eram combatidas pelo movimento sindical, mas em tempos de pandemia, com demissões, menos funcionárias/os nas agências, bancos parecem ter intensificado o terror entre as/os trabalhadoras/es. "As cobranças acontecem durante todo o dia através de videoconferências, mensagens via WhatsApp e e-mail. As metas e pressão estão cada vez piores e com o quadro de funcionários reduzidos a sobrecarga aumenta." exemplifica Andressa.

Apesar do cenário de ataques ao emprego bancário e as/os trabalhadoras/es, Joyce aponta que o caminho é potencializar a luta com participação: "Espero que esses tempos sombrios passem logo e que possamos trabalhar sem a sensação de que seremos a próxima vítima. Infelizmente não sabemos aonde tudo isso vai parar, mas o que precisamos ter nesse momento mais do que nunca é a consciência de fortalecer o sindicato."

Neste sentido, o sindicato obteve na última semana vitórias importantíssimas para o combate às injustiças dos bancos: as tutelas de reintegrações citadas anteriormente nessa matéria. Um dos bancários reintegrados, concedeu depoimento cheio de emoção e gratidão: "Meu choro é de alegria. Mostramos para os banqueiros que não somos lixo, não somos um simples número de crachá. Estes que se acham superiores por estarem no poder têm que saber lidar com seus funcionários. Não somos número, não somos saco de lixo, atrás do número de matrícula do banco está um ser humano. Obrigado diretoria, obrigado Dra. Cláudia Vieira, advogada credenciada ao sindicato. Deus abençoe a todos vocês! Estou alegre não só pela liminar. Estou alegre por voltar a me sentir uma pessoa respeitada. Choro igual uma criança por voltar a sentir que não sou apenas um número." finalizou o bancário.